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Existe uma quarta luz esperando para acender no semáforo

E se, num cruzamento do futuro, nenhuma das três cores clássicas estivesse acesa? ⬇️

Imagine parar num cruzamento e ver o semáforo acender uma luz que não é vermelha, amarela nem verde. É a quarta luz, uma proposta de engenheiros americanos para o dia em que carros autônomos e motoristas humanos dividirem as mesmas ruas. A novidade nasceu em simulações de computador e já indica menos espera nos cruzamentos, mesmo quando poucos veículos dispensam o volante.

Que luz é essa que pode surgir no semáforo?

É a chamada fase branca, uma quarta luz proposta por pesquisadores da North Carolina State University, nos Estados Unidos. A ideia surgiu em 2020 e foi refinada pela equipe de Ali Hajbabaie, professor de engenharia civil e ambiental. Nessa versão, a luz branca acende quando há veículos autônomos suficientes se aproximando do cruzamento.

Um detalhe curioso: para Hajbabaie, a cor da quarta luz não importa. O essencial é a mensagem. O sinal avisa o motorista humano de que os carros autônomos estão coordenando a passagem e de que basta seguir o veículo da frente.

O conceito parte de um problema real: cruzamentos com fluxo misto, onde autônomos e carros guiados por pessoas precisam conviver. Os semáforos atuais não aproveitam a capacidade dos autônomos de conversar entre si. A luz branca tenta mudar isso.

Luz branca no semáforo? Entenda a fase do futuro - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Como funciona a luz branca em um cruzamento movimentado?

A luz branca funciona como um aviso de que os carros autônomos estão cooperando para liberar o cruzamento. A sequência prevista pelos pesquisadores tem cinco etapas.

- Os veículos autônomos conversam por sinal sem fio entre si e com o sistema que controla o semáforo.

- Quando há autônomos suficientes na aproximação, a luz branca acende.

- Os próprios carros dividem o trabalho de cálculo, usando a capacidade de computação de todos, e definem a ordem de passagem.

- Os motoristas humanos seguem o veículo da frente até cruzarem a via.

- Se a presença de autônomos diminui, a luz branca não acende e o semáforo segue o ciclo comum.

Em cruzamentos onde a maioria dos carros é dirigida por pessoas, o sistema nem precisa mudar de modo. O semáforo opera com as cores tradicionais, e a luz branca fica reservada para quando a presença de autônomos justifica o acionamento.

O que as simulações revelaram sobre os atrasos?

As simulações revelaram que os atrasos caem mesmo quando poucos carros autônomos circulam. Os números a seguir mostram dois cenários testados pela equipe.

Atrasos nos cruzamentos com a luz branca

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10% de autônomos

Os atrasos caem cerca de 3% nas simulações.

🚙

30% de autônomos

A redução de atrasos sobe para 10,7%.

⛽

Menos para-e-arranca

Com menos paradas, o consumo de combustível também diminui.

Fonte: NC State News, estudo de Ali Hajbabaie e equipe sobre a fase branca.

Os pesquisadores da NC State usaram simuladores de tráfego microscópicos, modelos que reproduzem o comportamento de cada veículo individualmente. Segundo a equipe, os carros autônomos já melhoram o fluxo sozinhos. A luz branca amplia esse ganho, e quanto maior a fatia de autônomos, mais rápido o tráfego avança.

A versão aprimorada trocou o controle centralizado por computação distribuída, na qual cada autônomo empresta parte do seu poder de processamento ao grupo. Na prática, é como uma equipe que divide a tarefa em vez de esperar ordens de um único chefe.

O que muda para o motorista humano e para o pedestre?

Para o motorista, a mudança é pequena: ao ver a luz branca, basta seguir o veículo à frente. Os pesquisadores também avaliaram o efeito da proposta sobre quem atravessa a rua a pé.

- Com poucos autônomos, a luz branca não acende e todos esperam o verde, como acontece hoje.

- Com a luz branca ativa, os autônomos conduzem pelotões de carros dirigidos por humanos pelo cruzamento.

- Em estudo posterior, os pedestres também enfrentaram esperas menores quando a fase branca entrou no modelo.

A lógica lembra a de um comboio: quem vai na frente conhece o caminho, e os demais acompanham. A diferença é que a decisão nasce da conversa entre os computadores de bordo dos autônomos.

Quando a quarta luz pode chegar às nossas ruas?

Ainda não existe previsão para a quarta luz chegar às ruas. A proposta segue em simulações, mas os autores dizem que partes do conceito exigiriam só pequenas adaptações em cruzamentos e veículos atuais. Por enquanto, o semáforo mantém as três cores de sempre.

E você, seguiria o carro da frente se a luz branca acendesse na sua rua? Conta pra gente nos comentários!